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Precisamos falar sobre Nanette da Netflix

domingo, 29 de julho de 2018


Nanette (2018) é Stand Up da Hannah Gadsby (Please Like Me, crédito de escritora e atriz), e está disponível na Netflix.
 
Antes de começar gostaria de fazer algumas considerações para entenderem o meu impacto e necessidade de vir aqui falar:
1 – Eu não gosto de comédias em geral devido à minha falta de senso de humor! E stand up então, nunca tinha visto nenhum e nunca tive vontade;
2 - Não faço parte de minorias, logo não fui ou sou alvo de qualquer tipo de preconceito;
3 – Só fui ver Nanette por conta de indicação de pessoas que admiro: @cecilia.dassi e @futilidades

 O que não me isenta da responsabilidade de usar minha voz para gritar contra injustiças mesmo que não as tenha sentido “na pele”. E a isso chamamos de empatia!   


Agora vamos ao que queria falar:

Hannah Gadsby (estrela de Nanette) nas palavras dela é “sapatão, gorda e feia de um lugar minúsculo e distante”, no caso, Smithton na Tasmânia, continente Australiano

Ela começa como qualquer stand up fazendo piadas sobre ser LGBT, o que isso significa e como ela se enquadra ou não nos critérios e padrões! E achamos graça nos enquadrando ou não nas piadas.

Só que de repente o show dá uma reviravolta inesperada e ela coloca ele: o homem, branco, cis, hétero, privilegiado em pauta. E aí meus amigos, é onde Nanette mostra sua força!

 "porque é perigoso ser diferente"

Porque essa mulher sofreu o diabo apenas por ser quem é (sem opção, sabemos) e porque as pessoas à sua volta simplesmente discordavam, ou achavam que era pecado, crime ou qualquer outra justificativa sem pé nem cabeça ou fundamento, para deixa-la à margem dos “outros seres humanos”.

E quando ela diz que precisa parar de fazer piadas depreciativas sobre ser lésbica, que ela usava a comédia para mascarar sua dor, nesse momento sentimos com total potência essa dor! E o que era para ser engraçado (será mesmo?) nos faz verter lágrimas incontroláveis por – como disse não vivi nada disso – sentir ou imaginar o que ela pode ter passado, sem saber na verdade um ínfimo do que realmente foi. 


Quando ela diz: “O riso é só o mel que adoça o remédio amargo”, ou “estou morta por dentro, sei lidar”.

Dói!

Na alma!

No ser!

Vemos e sentimos sua dor, vemos sua raiva e por fim sua ideia de redenção. Quando ela diz que não quer alimentar esse ódio dentro dela.


E no momento em que ela em meio a raiva e choro contido brada a frase, “não há nada mais forte que uma mulher destruída que se reconstruiu”! Bradamos com ela, torcemos por ela, sentimos por ela, e a partir de agora amamos e admiramos essa força da natureza chamada @hannah_gadsby

 "Não há como ninguém se atrever!"

Quem não viu, veja! Quem já viu, espalhe! Chega de tanto ódio, incompreensão e preconceito nesse mundo! Todo mundo deveria ter seu espaço e ser aceito! Ninguém deveria ser qualificado e classificado por sua opção sexual, cor da pele ou quantidade de gordura no corpo! Chega!

Quem mais aí está cansado?

Comentem! Reverberem! Exponham! Gritem! E nunca se deixem calar!