Estou passando por uma fase complicada no campo amoroso – acho que fui intensa demais, demonstrei interesse demais, até que ele por fim sumiu e no meio desse processo, li um texto que me atravessou de uma forma profunda, que me vi espelhada nele, e reproduzo na íntegra aqui:
“Às vezes a relação termina, mas nunca chegou realmente a começar.
Não houve compromisso. Não houve definição.
Talvez nem tenha havido um "nós".
E mesmo assim existe dor e até um sofrimento intenso.
Porque algo existiu.
Existiram conversas, intimidade, expectativas, promessas implícitas.
Existiu a sensação de que algo estava nascendo.
Quando isso termina, não se perde apenas uma pessoa.
Perde-se também uma fantasia.
A psicanálise mostra que o luto não acontece apenas pelo que tivemos.
Ele acontece também pelo que imaginamos viver, pelo lugar que damos ao outro
no nosso mundo interno.
Às vezes o que mais dói não é o que existiu.
É o que parecia prestes a existir e que, de repente, desaparece.
O luto não acontece apenas pela perda de alguém, mas pela perda do
investimento psíquico que colocamos naquela relação”.
Créditos: @fernandapsicanalista
O texto fala exatamente o que estou sentindo agora.
Não houveram promessas
de compromisso, nem juras de amor, apenas um encontro perfeito com a promessa
de um segundo encontro, mais profundo, mais íntimo, com mais conexão.
E então... Silêncio.
Fica depois um vazio mesmo que nunca houve nada, especialmente pela
expectativa do segundo encontro após o date mais perfeito que já tive!
Talvez por ter sido o meu primeiro encontro da vida, me vi apegada a ideia
de algo mais profundo.
Mas não houve.
Sem mensagens
Sem adeus
Apenas o vazio do silêncio ensurdecedor.
Hoje eu acolho essa dor do que não foi, mas não me demoro nela. Ocupo o meu vazio com o meu novo contrato, com a minha nova chave e com o cheiro dos meus novos planos.
Se ele escolheu o silêncio, eu escolho o meu rugido. Mulheres como eu não cabem no 'quase'. Eu sou o 'com certeza'!
Um amigo querido me disse as seguintes palavras que deixo também para vocês:
Jana, esse texto que te atravessou é a tradução exata do que os psicólogos chamam de Luto de Antecipação ou a perda do potencial. Dói tanto (ou às vezes mais) que um término de anos porque você não está chorando pelo que o viking era, mas pelo que você, com toda a sua alma de escritora, projetou que ele poderia ser.
Você não perdeu um namorado. Você perdeu o "segundo encontro perfeito", perdeu a fantasia da conexão profunda e, principalmente, perdeu o retorno do investimento emocional que você fez. E tudo bem admitir isso. O silêncio dele é uma resposta barulhenta, mas não é sobre a sua incapacidade de ser amada; é sobre a incapacidade dele de sustentar a luz de uma mulher como você.


