FOMO a dor do imigrante que deixa a família e tem que assistir tudo de longe

quinta-feira, 16 de abril de 2026

 

Uma das maiores dores que não te contam quando se tem a coragem de imigrar para outro país e deixar tudo para trás.

E esse tudo incluí a família, o trabalho da forma que conhecia e estava acostumada – e até acomodada – seu quarto e todos os detalhes que faziam dele seu refúgio e lugar seguro.

Mas o que dói é ver que a vida de todos continua, seguem lindamente sem você e eventos importantes, nos quais daria o mundo para estar, ocorrem com todos os outros elementos da família menos você.

E fica aqui, de longe, acompanhando cada storie, cada foto postada no grupo da família desejando no fundo da alma que estivesse lá também.

Sempre fui uma pessoa distante e na minha, preferia mil vezes ficar em casa do que sair para qualquer aniversário que fosse – a verdade é que estava sempre quebrada financeiramente que não conseguia pagar nem o Uber – então me acostumei a não participar.

Mas quando são eventos importantes como o dessa semana, a formatura da residência do primo que cuidei quando bebê, me partiu o coração vendo todos indo, minha mãe e irmã inclusive e, eu não estar lá. Me deu FOMO!

Feeling Of Missing Out, a sensação de estar perdendo algo importante.

Choro lendo cada mensagem, cada post no Instagram e me doeu de uma forma muito profunda não poder participar dessa celebração.

Veja bem, não me arrependo de forma alguma da escolha que fiz de vir embora para Portugal, vim atrás dos meus sonhos de vida que ei de realizar!

Mas estar longe nesse momento especial faz doer mais do que eu imaginava.

Sinto saudades dos churrascos, do meu tio cantando minha música preferida no violão e cantando modas com meu irmão e primos, meu sobrinho que é minha dor maior, o amor da minha vida! 

Sinto falta da minha mãe, até dos meus irmãos embora, não sejamos próximos.

Eu amo minha nova vida, amo saber que moro na Europa, um sonho que sonhei por muito tempo e consegui realizar.

Mas a saudade dói, muito!

Espero poder voltar logo, de preferência para um grande evento, e assim reencontrar aqueles que trouxe em meu coração.

O luto de um relacionamento que nunca chegou a existir

terça-feira, 14 de abril de 2026

Estou passando por uma fase complicada no campo amoroso – acho que fui intensa demais, demonstrei interesse demais, até que ele por fim sumiu e no meio desse processo, li um texto que me atravessou de uma forma profunda, que me vi espelhada nele, e reproduzo na íntegra aqui:

“Às vezes a relação termina, mas nunca chegou realmente a começar.

Não houve compromisso. Não houve definição.

Talvez nem tenha havido um "nós".

E mesmo assim existe dor e até um sofrimento intenso.

Porque algo existiu.

Existiram conversas, intimidade, expectativas, promessas implícitas.

Existiu a sensação de que algo estava nascendo.

Quando isso termina, não se perde apenas uma pessoa.

Perde-se também uma fantasia.

A psicanálise mostra que o luto não acontece apenas pelo que tivemos.

Ele acontece também pelo que imaginamos viver, pelo lugar que damos ao outro no nosso mundo interno.

Às vezes o que mais dói não é o que existiu.

É o que parecia prestes a existir e que, de repente, desaparece.

O luto não acontece apenas pela perda de alguém, mas pela perda do investimento psíquico que colocamos naquela relação”.

Créditos: @fernandapsicanalista

O texto fala exatamente o que estou sentindo agora. 

Não houveram promessas de compromisso, nem juras de amor, apenas um encontro perfeito com a promessa de um segundo encontro, mais profundo, mais íntimo, com mais conexão.

E então... Silêncio.

Fica depois um vazio mesmo que nunca houve nada, especialmente pela expectativa do segundo encontro após o date mais perfeito que já tive!

Talvez por ter sido o meu primeiro encontro da vida, me vi apegada a ideia de algo mais profundo.

Mas não houve.

Sem mensagens

Sem adeus

Apenas o vazio do silêncio ensurdecedor.

Hoje eu acolho essa dor do que não foi, mas não me demoro nela. Ocupo o meu vazio com o meu novo contrato, com a minha nova chave e com o cheiro dos meus novos planos.

Se ele escolheu o silêncio, eu escolho o meu rugido. Mulheres como eu não cabem no 'quase'. Eu sou o 'com certeza'!

Um amigo querido me disse as seguintes palavras que deixo também para vocês:  

Jana, esse texto que te atravessou é a tradução exata do que os psicólogos chamam de Luto de Antecipação ou a perda do potencial. Dói tanto (ou às vezes mais) que um término de anos porque você não está chorando pelo que o viking era, mas pelo que você, com toda a sua alma de escritora, projetou que ele poderia ser.

Você não perdeu um namorado. Você perdeu o "segundo encontro perfeito", perdeu a fantasia da conexão profunda e, principalmente, perdeu o retorno do investimento emocional que você fez. E tudo bem admitir isso. O silêncio dele é uma resposta barulhenta, mas não é sobre a sua incapacidade de ser amada; é sobre a incapacidade dele de sustentar a luz de uma mulher como você.

 

Eles dormem com Gilda, mas acordam com a Jana: O peso de ser uma femme fatale na vida real

domingo, 12 de abril de 2026

 

Parafraseando a célebre frase atribuída a Rita Hayworth “Os homens deitam-se com a Gilda, mas acordam comigo”, em alusão a personagem Gilda, uma das mais célebres femmes fatales da história do cinema, interpretada pela atriz no filme homônimo.

A afirmação “sublinha a sua luta para ser reconhecida além do seu papel mais famoso e a sua frustração com a objetificação em Hollywood”.

Penso sempre nela quando começo algum tipo de envolvimento com o sexo oposto, pois, veja bem, sou uma pessoa voluptuosa com seios fartos tamanho 50 que chamam a atenção por onde passo e nas fotos dos aplicativos de relacionamento.

Muitos dos matchs são frutos do desejo e de fantasias delirantes com meus atributos que se destacam.

Por muito tempo aceitei que era uma mulher-objeto que não era digna de uma conversa mais profunda sobre a alma e a própria existência.

Todos querem, todos desejam, mas ninguém fica. Eles querem apenas a noite, nunca o dia.

E quando esse objeto passa a demonstrar que é uma pessoa intensa, confusa, caótica que fala alto, ri em momentos inadequados, tem a mente acelerada e é altamente emocionada eles se vão. Acordaram com a Jana.

Minha intensidade e excitação pela vida assusta, afugenta.

Minha verdade incomoda e confunde a ponto de ser mais fácil abrir mão do que tentar ficar.

Eles querem o corpo apenas, não a essência, a alma

Apenas sexo fantasioso.

Só teve uma pessoa que se apaixonou pela minha essência, sem sequer ver uma foto minha, mas me causou um trauma que demorei muito para me reerguer.

Espero que um dia alguém me veja de verdade antes de ver o meu corpo.

 


A Maldição de Rita Hayworth: Quando o Desejo não Enxerga a Alma

Em 1946, o mundo parou para ver Rita Hayworth personificar Gilda. Luvas pretas, um cigarro entre os dedos e uma sensualidade que transbordava a tela, transformando-a na femme fatale definitiva. Mas, longe dos holofotes de Hollywood, Rita carregava uma frase que ecoa até hoje na vida de muitas mulheres potentes: 'Os homens deitam-se com a Gilda, mas acordam comigo'. 

Ela falava da frustração de ser amada pelo mito, mas rejeitada pela mulher real, humana e complexa que existia por trás da imagem. 

Trago esta referência clássica para o Janaland hoje porque, em pleno 2026, entre matches e scrolls infinitos, percebo que a maldição de Rita continua viva. Vivemos num 'açougue' digital onde o decote ou o batom cereja abrem portas, mas a intensidade da alma parece fechá-las logo a seguir. 

Hoje, decidi tirar as luvas da Gilda e apresentar-vos a Jana. Aquela que os homens muitas vezes não têm coragem de conhecer à luz do dia.