A Carrie Bradshaw de Lisboa (A Crônica dos Copos e Fardas)

terça-feira, 21 de abril de 2026

 

Lisboa é uma cidade de subidas íngremes e promessas de jantares que viram copos.

Conheci um homem que prometeu o mundo, passeios em praias paradisíacas no verão, vistas de pores do sol de tirar o fôlego, mas na hora H oferece um "copo" às 21h30 e um “vamos para casa tirar essa roupa”.

O vermelho do batom é a minha única certeza nessa noite de incertezas, que começou com um jantar e vai terminar sabe-se lá Deus como, provavelmente comigo dormindo na minha cama depois do bendito copo.

Já tinha minuciosamente calculado o look com vestido vermelho e trench coat, adequados para um jantar, mas precisei recalcular a rota para algo mais simples que combine com a despretensão de “um copo”, que por acaso estou tomando em casa, na minha cama, ouvindo minha música sem ter que fazer caras e bocas para assuntos extenuantes de um primeiro encontro.

Já começo ele na base do ódio.

Pois já comecei a receber menções sutis a membros entumecidos, “por minha causa”, disse.

Se eles soubessem quão broxante é receber uma foto não solicitada de piroca!

Quando recebo foto de visualização única já começo meu processo de broxar e desinteresse.

É automático.

Eu estou por um triz de desmarcar essa merda. Perdi total o interesse.

Virou mais um na fila do pão, infelizmente.

Parecia tão promissor.

Acabamos conversando, perguntei se o interesse dele era sexo apenas e que eu havia interpretado errado.

Ele por sua vez disse que há desejo sim, mas que quer conhecer também a minha personalidade.

Enfim, haverá date e volto com updates.

O date

Ele chegou pontualmente as 22h, abriu a porta do carro para mim, tentou me dar um beijo na boca, mas me virei e dei 2 beijinhos no rosto. Mas não demorou muito a barreira invisível que eu coloquei, pois, no primeiro sinal fechado ele me tascou um beijo na boca.

Fraco. Fiasco. Nada encaixou. Só queria um beijo gostoso, sabe?

Se o beijo é o trailer do filme, ontem eu saí no meio da sessão porque a trilha sonora estava fora de ritmo e os efeitos especiais... bom, eles nem apareceram.

Fomos para a rua rosa cheia de guarda-chuvas perto do Cais Sodré, entramos em uma boate famosa que já foi um puteiro e lá tomamos um copo. Até então, mesmo com o beijo que não encaixou, a noite ainda parecia promissora.

Terminamos o copo, nos pegamos um pouco pelos cantos escuros e convidativos do lugar e uma decisão precisava ser tomada: vir para casa e dormir, ou esticar a noite na casa dele e descobrir se ele teria pegada. Pensei no caminho até o estacionamento e depois de um pega intenso no elevador, pensei “fodasse” e fui.

Fomos casa dele depois do copo, pois eu estava de fogo porque estava bebendo desde a tarde com minha roommate.

O cara é lindo e gostoso, isso é inegável.

Em dado momento ele me suspendeu em uma bancada, que ficava de frente para uma janela com uma vista linda das luzes noturnas da cidade como testemunha do que ocorria ali, na cozinha.

Depois fomos para o sofá, macio, confortável e convidativo e continuamos.

Mas o séquiçu, assim como o beijo também não foi lá essas coisas...

Ouvi dizer maravilhas dos portugueses, que satisfazem a mulher plenamente primeiro para apenas depois se preocupar com seu próprio prazer, mas....

A Falta de "Cunnilingus"

Um homem que não desce até a "preciosa" — especialmente para uma mulher que exala Lancôme e sofisticação — é um homem que não sabe servir a uma Deusa. É o egoísmo básico do "fiquei satisfeito, o resto que lute".

Esperar a iniciativa de quem só olha para o próprio umbigo é como esperar que a Segurança Social te ligue para pedir desculpas. Simplesmente não acontece.

Me encontro aqui esperando o cinderelo que está com o bilau esfolado acordar para me levar para casa. Sem morning sex para mim, sem ter tido meu prazer garantido. FIASCO.

Ele prometeu a disciplina da farda, mas entregou o amadorismo de um recruta que não sabe limpar a própria arma.

Quantos mais terei que provar até achar alguém que o beijo encaixa? O viking ferrou com tudo para mim.

Essa experiência me ensinou que preciso ser mais criteriosa. Se o beijo já não encaixa, é um mal sinal de que o resto tende a ser do mesmo jeito.

Ele não me trouxe para casa, mas pagou o Uber. Não sei o que pensar sobre isso. Ele disse que gostou muito de mim e vai me ver de novo, mas senti um cheiro de caô. E também nem sei se quero encontrá-lo novamente.

Pelo menos vira pauta para o Passaporte do Amor. NEXT! 

Tô me sentindo a própria Carrie Bradshaw de Lisboa!

Balenciaga Motorcycle: A "It Bag" que desafiou o sistema e conquistou o tempo

segunda-feira, 20 de abril de 2026


Se você acompanha o mundo da moda, sabe que algumas peças nascem para ser tendência, enquanto outras nascem para quebrar as regras. A Motorcycle Bag (ou Lariat Bag) pertence ao segundo grupo. Criada em 2001 por Nicholas Ghesquière, ela quase nunca viu a luz do sol.

Quando o protótipo ficou pronto, a direção da Balenciaga não ficou convencida. A bolsa não tinha logo, era macia demais, sem estrutura rígida — o oposto de tudo o que era considerado "luxo" na época. Ghesquière chegou a deixá-la de lado por um ano.


O "Vrau" da Virada: O jogo mudou quando as modelos — as verdadeiras it girls como Kate Moss — viram o protótipo nos bastidores. Elas não queriam a bolsa da vitrine; elas queriam aquela peça que parecia um achado vintage, com ar de quem já tinha passado por mil concertos de rock. Ghesquière convenceu a marca a produzir apenas 25 unidades. O resultado? O resto é história.


Por que ela ainda importa? 

Quase 25 anos depois, a família Motorcycle (City, Work, Part Time) continua a ser o símbolo da mulher que tem "bossa". É uma bolsa funcional, com espelho embutido para retocar o batom entre um café e um texto, e um design que envelhece como vinho.

No meu olhar de consultora, a Motorcycle é o equilíbrio perfeito entre o luxo e o real. Ela não grita a marca, ela sussurra o estilo. É para quem sabe que o verdadeiro luxo não precisa de logos gigantes, mas de uma história que ressoe com a própria pele.

E você? Prefere o clássico imortal da Chanel ou a rebeldia histórica da Balenciaga? No Janaland, a gente fica com os dois.

“Eu vejo você”: Meu encontro de cinema nos olhos de um americano

domingo, 19 de abril de 2026

 

Comecei a escrever assim que cheguei em minha nova casa em Lisboa, por volta das 3h da madrugada, porque não queria correr o risco de perder nenhum detalhe importante.

Acho que como chegamos até o ponto de nos encontrar é irrelevante, envolve muita conversa, respeito e algumas piadinhas fofas.

O Passaporte do Amor acaba de ganhar mais um carimbo, norte-americano. Um diretor de filmes de olhos azuis imensamente profundos e doces.

Ao encontra-lo ele me deu um abraço apertado e demorado, daqueles que fazem o mundo parar por um instante. Só Deus sabe como eu estava precisando de um abraço desde a morte do senhor que presenciei em um dia de cuidadora.

Andamos muito por vários pontos do bairro que ele mora, ele me mostrou vielas absolutamente encantadoras com flores e mesas de restaurantes ao ar livre, fomos para a beira do Tejo quando o primeiro beijo aconteceu. Tímido, mas com potencial!

Depois fomos para o apartamento dele, já havia compartilhado minha localização em tempo real com uma amiga, porque somos vida louca, mas não burras! Segurança em primeiro lugar.

Não fizemos sexo, apesar de momentos bem quentes, eu disse que não estava pronta naquele momento, apesar de ter “ido para o crime”, batido gilete horas antes, mas o fato é que queria aproveitar o máximo possível aquele moço que me olhava nos olhos tão profundamente que minha barriga congelava e eu perdia o ar.

Porém houve um momento em que os beijos estavam ardentes, as mãos descontroladas e ele soltou em inglês mesmo um: "Fuck it. Kiss me!". Me senti dentro de um filme americano, OMG!

Ele cozinhou alguma coisa tailandesa (macarrão com legumes porque é vegetariano), fora isso, na rua enquanto andávamos e conversávamos muito, ele pegava lixo que encontrava na e jogava na lixeira. Achei fofo!

Ele me deu vários abraços que eu precisava tanto e carinho, toques, além de ficarmos minutos infinitos olhando um no olho do outro. Os deles de um azul perfeito que me desmontava. Ah, o filme favorito dele é Moulin Rouge (um dos meus favoritos também) e ele cantou Elephant Love Medley do filme quase inteiro!

Ele é tão nerd quanto eu, apaixonado por livros, filmes, música. Inteligente, fala várias línguas, gentil. Um príncipe perfeito.

Mas o que me desmontou foi quando ele me disse umas três vezes. "Eu vejo você!", perdi todo o meu rumo e uma ou duas lagrimas escorreram.

Queríamos sexo, sim! Muito! Mas eu também queria ter o gostinho de um encontro que fosse apenas afeto, delicadeza e ternura. O que eu tive.

Era exatamente o que eu precisava depois do último que foi tão ridículo que não me dei ao trabalho de relatar. Me senti um objeto sexual, usada, apenas a Gilda e não a Jana.

Então quando ele me olha e diz que me vê, ali toda vulnerável e me trata com doçura e me dá o carinho, o peito para eu deitar a minha cabeça que eu tanto precisava, eu fico feliz de ter ao menos vivido isso.

Teremos um próximo? I have no idea, mas se tiver ficarei feliz de estar com ele novamente.

E você já teve um encontro que não precisou de sexo para ser inesquecível? Me conta aqui!