Um Viva aos Mamilos Livres (e à Minha Cabeça Millennial)

domingo, 28 de junho de 2026


Por que é que ainda é tão difícil para nós — ou, pelo menos, para mim, da geração Millennial — ver uma mulher sem sutiã na rua?

Em casa, tudo bem. Estamos num espaço reservado, protegidas pelas paredes, e parece natural libertarmo-nos desse instrumento de tortura. Mas na rua? O meu cérebro, moldado por anos de regras invisíveis, ainda dispara um alerta automático que lê aquela imagem como "errada", libidinosa ou indecente.

Vejam bem: a errada aqui sou eu. Afinal, aquelas são mulheres livres, que ousam quebrar convenções e inspirar as novas gerações.

O problema é o que foi martelado na minha cabeça desde a infância. Cresci a ser ensinada a esconder-me. Esconder o corpo, camuflar o peito que começava a despontar aos dez anos dentro de um sutiã cirurgicamente escolhido para não marcar. Menstruação, então? Um tabu tão grande que nunca ouvi a palavra sair da boca da minha mãe. Descobri tudo por conta própria, porque fui alfabetizada a ler revistas femininas e sempre transbordei curiosidade desde a tenra idade. Olhando para trás, acho que foi esse mesmo desejo de desvendar o silêncio que me guiou, anos mais tarde, pelo caminho natural do jornalismo.

Eu tenho a minha cota de rebeldia. Também saio sem sutiã na rua. A diferença é que o meu tamanho 50 de busto exige blusas justas, daquelas que seguram, estruturam e dão sustentação. O que ainda me causa um choque térmico no cérebro são as blusas soltas, fluidas, onde se vê o contorno real dos seios e os bicos enrijecidos pelo vento. Isso, confesso, ainda me causa estranheza.

Mas, como já disse, o filtro é meu. É da minha geração, que teve uma criação profundamente pudica. No entanto, se há um lado maravilhoso nos Millennials, é a nossa capacidade de adaptação. Nós moldamo-nos, compreendemos e abraçamos as revoluções sociais que os mais jovens trazem para as ruas. Nós questionamos os nossos próprios preconceitos automáticos.

Por isso, mesmo com a minha cabeça ainda a tentar processar o cenário, eu celebro. Um viva aos mamilos livres, soltos e sem amarras!

O Passaporte do Amor entrou em modo sobrevivência versão soft

domingo, 21 de junho de 2026


 Tela em branco, bate um desespero porque a ideia não vem. 

O Passaporte do Amor vai precisar ficar em segundo plano, pois: prioridades da vida adulta. 

Os pretendentes, que foram alçados a categoria de "conversantes" estão dispersos, parados e distantes. 

E minha energia para ser - e me manter - interessante está perto do nulo. 

Modo sobreviência por aqui, mas em uma versão soft, porque o modo sobrevivência verdadeiro é punk, aterrorisante e mal acabei de sair dele. Não pretendo voltar. 

Fato é que preciso priorizar outros aspectos da minha vida e não tenho energia sobrando para gastar com homens, conversas, dates, pensar em look, maquiagem. 

E, principalmente estou farta de superficilidade, de desejarem a Gilda. 

Quero poder ser eu, pedir colo, abraço, ser vulnerável. 

A Gilda é um espetáculo estético que dá trabalho para manter, e o meu estoque de paciência faliu. Cansei de performar o mistério e a leveza que o mercado dos afetos exige. Quero o direito ao avesso, à calça de moletom, ao cabelo em transição e ao cansaço estampado nos olhos sem ter que pedir desculpas por não ser um feed perfeito do Instagram.

O amor vai ter que esperar na sala de embarque. Se for de verdade, não se importa de pegar o próximo voo.

Por enquanto, o meu único passaporte carimbado é para dentro de mim mesma. É o meu colo, o meu silêncio e a minha própria farda que vão me salvar. Vou só ali respirar, longe das notificações e perto do que é real.


O caos no Cais do Sodré

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Era sexta-feira e eu só queria que o expediente de trabalho acabasse logo. Eu tinha um plano perfeito para o meu final de tarde de "sextou": comprar algumas cervejas no Pingo Doce, uma azeitona (tal e qual os locais) e fumar quantos cigarros me apetecesse, admirando a paisagem com Olivia Rodrigo no ouvido.

Ainda havia planeado uma caminhada de 18 minutos do trabalho até a estação de comboios de Carcavelos, pois estou firmemente no projeto de ficar magra & gostosa. E assim fiz! Suei para um caralho, mas cumpri o objetivo com louvor.

Quarenta minutos depois, eu estava no Pingo Doce do Cais do Sodré a comprar os ingredientes do meu fim de tarde especial: quatro Super Bock pequenas e um frasco de azeitonas sem caroço. Fui à procura de um spot para me acomodar e curtir as ondas do Tejo a quebrar na mureta.

Fui muito feliz ali. Senti o prazer de concretizar um planeamento feito desde o início da manhã, na companhia da minha cervejinha e do meu cigarrinho. Cheguei até a emprestar o meu isqueiro a um gringo gato que me disse um “thank you”. Eu, numa fluência invejável (só que não), respondi: “you’re welcome”. Senti-me dentro de um filme de Hollywood. Ganhei até um sorriso e uma piscadela quando ele se estava a ir embora — de mãos dadas com a namorada, claro. Lisboa tem dessas coisas. Ouvir várias línguas seja onde for — na rua, no mercado, no metro ou no comboio — faz com que nos sintamos dentro de uma sociedade realmente globalizada.

Decidi que a terceira cerveja seria o limite, pois a vontade de fazer xixi começou a dar sinais logo ao final da segunda. Dali para a frente, foi só para trás.


O Sufoco

Terminei a última latinha já a sentir a bexiga bem apertada. E quem conhece o Cais do Sodré sabe: ali não há casas de banho públicas. Levantei-me a correr, procurando um canto na esperança de encontrar uma salvação, mas nada. A bexiga apertava cada vez mais e o pânico instalou-se: não vou conseguir segurar!

Corri para a estação de barcos, por onde havia passado outro dia, e encontrei um WC. Pago, claro! Acontece que eu não tinha dinheiro em espécie. Nessa altura, já sentia algo a escorrer pelas minhas pernas. Pensei: Deus, por favor, não me deixes mijar nas calças. Mas parece que Ele estava meio ocupado com causas mais urgentes do que a minha. O que era uma gota virou uma mini corredeira que chegou a deixar um pingo no chão, mesmo perto do meu sapato, denunciando a minha situação apocalíptica.

Corri desesperada para encontrar um ATM. Nessa hora, o vazamento já estava sem controlo e, para melhorar, a máquina tinha fila! Senhor! A calça já era. Estava toda molhada na frente. Menos mal que era preta e não aparecia tanto. Talvez um olhar mais atento pudesse notar, mas como as pessoas aqui estão sempre a correr apressadas, duvido que alguém tenha percebido.

Enfio uma nota de 10 euros na máquina que liberta o acesso ao WC. A máquina demora uma eternidade a dar as moedas de troco e eu ainda precisei de esperar que alguém viesse abrir manualmente a porta para mim. Pensa num sufoco. Tentei trançar as pernas para, de alguma forma, conter o dano, mas o vazamento silencioso continuava.

É, amores, depois dos 40 a bexiga já não é a mesma!

Entro na casa de banho e ainda tinha uma pessoa na minha frente e duas lá dentro que pareciam ter morrido na cabine, de tanto que demoraram. Quando finalmente chegou a minha vez, quase não consegui sentar-me na sanita para despejar o que pareciam os litros de cerveja que havia tomado. E relembro: foram apenas três latinhas pequenas. Um caos!

A Queda

E acham que acabou? Ainda teve a volta no metro.

Para mim, eu não estava bêbada, nem me consideraria “alegrinha”. Mas, aparentemente, a minha mente e o meu corpo estavam em total desalinho. Nos últimos degraus da escada, antes de entrar na zona de validação do metro, caí que nem uma jaca podre.

E quem disse que eu conseguia levantar-me? Contei com a ajuda de uma alma caridosa, uma senhora que praticamente teve de me alavancar do chão, porque acho que o meu próprio corpo decidiu ficar ali tombado, mortificado com a vergonha da situação. Não tenho ideia do que houve, mas o meu pé derrapou nos últimos degraus — talvez molhado pelo xixi da odisseia anterior — e fui parar à lona.

Sabe vergonha? Eu sou profissional a passar!

Agora perguntam-me se aprendi a lição e se nunca mais vou fazer isso? Pois claro que vou repetir! Porque foi um dia incrivelmente fantástico que eu amei viver. Com um melhor planeamento e algumas moedas de 1 euro no bolso para o WC, irei repetir a dose assim que possível.

Porque sou louca? Não. Porque estou viva, e experiências boas ou ruins fazem todas parte do que é viver.

Moda: Bem-vindas ao Janaland Street View Portugal!

terça-feira, 16 de junho de 2026

Mais do que tendências de revistas, a verdadeira moda ganha vida nas ruas, no movimento das cidades e na escolha diária de pessoas reais. Esta rubrica nasce do meu desejo de documentar a riqueza visual e o comportamento estético que moldam o espaço urbano em Portugal.

Já observada pessoas com looks que considero icônicos ou estilosos, mas nunca tive a coragem de abordar e pedir uma foto, até que essa mulher de macacão de onça e seu laço enorme atravessou na minha frente e foi seguindo no meu caminho até pararmos na mesma estação de metro. Não resisti e fiz um registro o que me deu o estalo: por que não?

Vou me unir de coragem sempre que encontrar alguém com um look, que no meu olhar precisa aparecer aqui. 

Semanalmente, pretendo trazer para o blog uma curadoria fotográfica e analítica de, pelo menos, três looks que capturaram a minha atenção e despertaram o meu olhar jornalístico. Do clássico ao irreverente, das plataformas de metro de Lisboa às ruelas históricas do país, o Street View é o nosso espelho da moda real, viva e em constante movimento. Preparem o café e venham caminhar comigo!

Meu novo lip combo favorito: Kiko Fusion Lipstick 405 + Smart Fusion Lip Pencil 33

quinta-feira, 11 de junho de 2026


Não sou muito fãs desses lip combos com o lápis que contorna os lábios em cor muito contrastante em relação ao batom, para mim não rola. 

Mas queria de alguma forma usar essa técnica que aumenta considerávelmente o volume dos lábios como um truque de mágica e você se torna uma das irmãs Kardashian. 

Decidi entrar em uma loja fisica da Kiko e fazer como os antigos povos faziam: experimentar! 


Pois queria um batom com uma textura e acabamento muito específicos, que lembram o lustre da M.A.C, aquele batom hidratante com acabamento brilhoso que parece que finalizou com gloss, só que mais discreto. E encontrei no Fusion Lipstick cor 405, uma cor de boca com fundo rosado que me lembrou meu amado Hug Me da M.A.C. 

Já o lápis foi mais díficil pois a vendendora só me dava opções escuras e eu me recusava a testar aqueles tons, até que ela meio que gritou comigo: "mas ai não é lip combo!". Quase chorei e sai correndo da Kiko, mas insisti na minha ideia e fui testando os lápis mais claros até a vendedora entender que eu queria algo mais discreto e me mostrar o Smart Fusion Lip Pencil na cor 33, um marrom mais suave que vai bem com outros nudes que tenho aqui e deu um contraste discreto com meu já escolhido batom 405! 



Moda: Provador do PP ao GG – Look 4 - Macacão Caça-Fantasmas com pochete

terça-feira, 9 de junho de 2026

 


Vamos fazer um combinado aqui, vou parar de dizer que nunca usei tal combinação antes porque a verdade é que tudo que fizemos nessa série era inédito para mim, que com meu formato de corpo de triângulo invetido, expliquei os formatos de corpo para a nova geração aqui, jamais ousaria experimentar. 

Além do mais, por ser obesa, sempre tive a cintura grossa e barriga avantajada e nunca gostei de nada que ficasse marcando, sempre usando roupas grandes e largas que não marcavam um centimetro do meu corpo. 

Então a ideia de usar um macacão que marca tudo, ainda com uma pochete na altura da barriga foi: ASSUSTADORA! 

Mas quando provei o look completo, inclusive com essa sandália maravilhosa de salto grosso e cor clara, adivinha: AMEI! 


O que quero dizer com essa série é: EXPERIMENTEM! Não tenham medo e não se pautem por ditadores de beleza e do que devemos ou não usar!