Voltei para o Tinder!
Após 6 anos e uma experiência traumática, agora em
solo europeu, achei que era a hora de voltar e dar mais uma chance para
conhecer pessoas interessantes ou apenas pessoas.
Um pouco inspirada pelas experiências de uma nova
amiga que fiz aqui e também porque ainda pretendo preencher o que chamo de
“Passaporte do Amor”. Não um amor romântico, não no sentido de relacionamento
sério – coisa que estou longe de estar pronta, se é que um dia estarei – mas no
sentido de beijar tantas bocas de nacionalidades diferentes que eu conseguir e
talvez algo mais.
A ideia é colecionar bandeiras tais quais carimbo de
entrada da imigração, que tristemente foram substituídos por uma versão digital,
no imaginário passaporte.
Eis que uso o aplicativo para passar o tempo quando
estou entediada e no movimento de deslizar para a direita ou para a esquerda me
peguei pensando que estava em um grande açougue escolhendo qual carne irei me
deleitar apenas pela imagem que parece a mais apetitosa.
E essa sensação me deu um nó no estômago de pensar em
pessoas como algo apenas a ser saboreado, experimentado, provado.
Não há profundidade, não há um “conhecer a alma”, não
há grandes diálogos. Apenas gostei, coração e se ele também gostar, o match.
E as conversar iniciais? Ah as conversas iniciais são
desafiadoras, por vezes tediosas e quando passamos para o WhatsApp muitas vezes
sem aviso prévio recebemos uma foto de um membro fálico, as vezes nem tão bonito assim.
Por que eles pensam que gostamos disso?
Next!
A grande questão é que não sei ser morna, sou intensa,
fogo, quero profundidade, demonstrações de afeto, ligações às 3h da manhã
apenas para dizer que estava com saudades da minha voz e não conseguia parar de pensar em
mim.
Preciso sentir intensidade! Caso contrário, perco o
interesse.
Por isso me veio a mente o cardápio de homens, não no
sentido de serem esculturalmente deliciosos, de terem olhares profundos, pois
muitos os têm.
Mas no sentido de scrollar os perfis em busca de algo
que talvez eles não queiram dar.
São várias opções, isso é inegável! As nacionalidades?
As mais variadas possíveis.
O francês, o irlandês, o italiano, o português, o
canadense.
Nomeie uma nacionalidade e devo ter na minha lista
imensa de matches que mal passaram de um oi, piroca, e vamos nos ver. E só.
Me dei conta que não estou certa se é realmente isso
que quero e procuro, embora eu nem saiba exatamente o que eu mesma busco.
Mas seguirei tentando até, quem sabe, encontrar alguém
que não seja apenas um rostinho bonito e um pedaço de carne e me chame para ver
a lua na praia.


